Diretoria de Comunicação e Desenvolvimento - VICOM - (29/07/2010)
ECONOMIA
OPINIÃO
SERVIÇO
Correio Braziliense - 29/07/2010
Aposentado reduz dívida
Volume de empréstimos consignados dos segurados do INSS recua para R$ 2,19 bilhões em junho, numa contração de 5,9%
Vânia Cristino
O espaço para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tomarem empréstimos consignados (com desconto no contracheque) está perto do esgotamento. Um dos motivos é o teto para o valor da prestação, que não pode ultrapassar 30% da renda mensal. Segundo dados divulgados ontem pelo INSS, as operações contratadas em junho somaram R$ 2,19 bilhões, 5,9% a menos do que o financiamento no mês anterior, de R$ 2,32 bilhões.
Os números comprovam a desaceleração dos financiamentos para as pessoas físicas, detectada nas últimas estatísticas do Banco Central (BC). De acordo com o BC, o crédito como um todo continua crescendo, puxado pelas operações das empresas. Mas, no segmento das famílias, o ritmo diminuiu. A taxa de expansão do consignado para servidores públicos e aposentados foi de 5,6% no último trimestre, bem inferior à dos trabalhadores da iniciativa privada, de 14,1%.
"Há claros sinais de acomodação no crédito consignado. Só a parcela destinada a trabalhadores da iniciativa privada é que está crescendo bem porque eles, até pouco tempo, não tinham acesso a essa modalidade, uma das mais baratas do mercado", explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Até mesmo na comparação com junho de 2009, o INSS registra queda na quantidade de transações, embora o valor contratado seja um pouco maior. No mês passado, foram registradas 771.958 operações de financiamento contra 880.703 no período anterior, numa queda de 12,35% - o montante anterior havia sido de R$ 2,11 bilhões.
Em junho, a maioria dos segurados que tomaram dinheiro emprestado com desconto em folha ganhava até um salário mínimo (R$ 510). Eles foram responsáveis por R$ 900,76 milhões, numa média de R$ 2.120 para pagar em 60 meses. Já os aposentados e os pensionistas na faixa salarial de um a três salários mínimos contrataram um valor médio de R$ 3.010. Do total, 603.829 empréstimos foram parcelados de 49 a 60 meses. Das 762.346 transações feitas excluindo as operações no cartão de crédito, 275.354 foram realizadas por segurados na faixa de 60 a 69 anos. Outras 177.731 foram assumidas por pessoas entre 50 e 59 anos.
Há claros sinais de acomodação no crédito consignado. Só a parcela destinada a trabalhadores da iniciativa privada é que está crescendo bem"
Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC
O Estado de S.Paulo - 29/07/2010
Bovespa tem 8ª alta amparada em ações da Vale e de bancos
Cenário: Rosangela Dolis - O Estado de S.Paulo
A Bovespa completou, ontem, oito sessões consecutivas de alta, período em que acumulou ganho de 7,16%. O Ibovespa subiu 0,20%, aos 66.808,25 pontos, apoiado em ações de bancos e da Vale, principalmente, e na contramão dos índices de ações norte-americanos. Na bolsa brasileira, o pregão teve entre os destaques as ações de telecomunicações. A Portugal Telecom vendeu sua fatia na Vivo Participações para a Telefónica por ? 7,5 bilhões e usará parte dos recursos para comprar uma participação de 22,4% da Oi. Os papéis da Vivo e da Telesp se valorizaram e ficaram entre as maiores altas do Ibovespa, enquanto as ações da Oi (Telemar) caíram, liderando as maiores baixas do índice.
O avanço das ações da Vale refletiu a expectativa de investidores de que o balanço financeiro que a empresa divulga hoje, após o fechamento da Bolsa, trará números robustos. Vale PNA evoluiu 1,31%, a R$ 42,50. No setor bancário, as ações do Bradesco subiram com o anúncio dos resultados no segundo trimestre e deram carona a papéis de outros bancos. A ação PN do Bradesco saltou 4,51%, Itaú Unibanco PN subiu 2,34% e Banco do Brasil ON, 4,18%.
Nos EUA, as más notícias sobre a economia do país trazidas pelo Livro Bege do Federal Reserve - que é o sumário sobre as condições da economia que servirá de base para a decisão de política monetária do Federal Reserve, em 10 de agosto - ajudaram a aprofundar a queda das Bolsas. O Índice Dow Jones perdeu 0,38%.
No câmbio, o dólar ficou estável em R$ 1,7700 no balcão.
À espera da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), hoje, os juros ficaram estáveis. A taxa de janeiro de 2011 ficou em 10,83%.
Correio Braziliense - 29/07/2010
Preço do leite sobe 15,25%
Leite sobe quatro vezes mais do que a inflação
A disparada no preço do leite está azedando o orçamento familiar. De janeiro a julho deste ano, a bebida acumulou uma impressionante alta de 15,25%, quatro vezes acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) registrado no período. Além de fatores climáticos prejudiciais à pecuária, o aumento do consumo de laticínios - especialmente na classe C - contribuiu para pressionar a inflação desses produtos. Apesar de um ligeiro recuo nos últimos meses, a tendência é o leite e seus derivados se tornarem mais salgados para o consumidor. "O preço está recuando, mas a expectativa é de que pare e passe a subir, porque o inverno é uma estação seca e a produção cai", avalia André Braz, da Fundação Getulio Vargas. "O ideal seria comprar o leite no período em que ele está mais barato, para estocar. Mas, em casa, é difícil", lamenta Mário Ribeiro, 46 anos, pai de três filhos. A família do militar consome 30 litros de leite por mês.
Preço do leite sobe 15,25%
Clima e demanda fazem o produto superar em quase cinco vezes a inflação de 3,22% até julho
Victor Martins
A disparada no preço do leite está batendo o ritmo da inflação neste ano e azedando o orçamento das famílias brasileiras. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou elevação de 3,22% entre janeiro e julho, a bebida subiu quase cinco vezes mais: 15,25%. De seis derivados do produto observados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), todos ficaram mais caros em 2010. Além do clima, que influenciou a produção, o mercado doméstico aquecido - impulsionado pelo consumo da crescente classe média - pressionou fortemente a indústria e empurrou os valores para cima. Nem os ganhos de produtividade nos currais conseguiram aplacar a pressão sobre os produtos lácteos.
Nos últimos dois meses, o preço dos alimentos começou a sofrer uma desaceleração, o que representou um alívio no bolso do consumidor. Com o leite não foi diferente. Em junho e julho, o IBGE registrou recuo no custo do produto, mas, diante das altas anteriores no decorrer do semestre, as quedas foram mínimas e não deram conta de reduzir os custos efetivamente. "O preço está recuando, mas a expectativa é de que pare e passe a subir, porque o inverno é uma estação seca e a produção cai", explicou o professor André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV). "O gado perde sua principal fonte de alimentação natural. Para o animal continuar a produzir o leite, o pecuarista tem de entrar com complementos."
Obstáculos
Se em janeiro era possível comprar uma embalagem com 24 litros de leite por R$ 48, em julho, mesmo com o "recuo" recente no preço, o desembolso subiu para R$ 55,32. Para uma família de baixa renda que disponha de apenas um salário mínimo para viver, o impacto é forte - a compra consumirá quase 11% do orçamento. Tamanha alta, segundo Braz, deveu-se a problemas climáticos no início do ano. Nas três principais regiões produtoras do país, houve quebra de safra. Em São Paulo, as fortes chuvas prejudicaram as condições de pastagem e do transporte, aumentando a quantidade de perdas na produção. Em Minas Gerais, a seca também comprometeu a qualidade do pasto. Na Região Sul, o problema foi o calor intenso. Com um rebanho de origem europeia, o gado passou a produzir menos.
Os preços também foram influenciados pelo forte consumo no primeiro semestre. Em um país de população jovem, com quantidade elevada de crianças e onde o tradicional pãozinho francês tem como companheiro o café com leite, a emergente classe C tornou-se um componente a mais, e explosivo, para os preços de produtos como as bebidas lácteas. O militar Mário Ribeiro, 46 anos, é um desses consumidores que impulsionaram a forte demanda pelo produto. Com três filhos jovens, sua família bebe 30 litros por mês. "O ideal seria comprar o leite no período em que ele está mais barato, para estocar. Mas, em casa, é difícil. Não tenho como guardar grande quantidade", lamentou. Paulo César Moreira, 59 anos, também militar e amigo de Mário, confessou, em uma lanchonete de Brasília, ter o hábito de tomar achocolatados. Mas reclamou: "O preço do leite está salgado. Faz tempo que subiu e não baixou mais".
O Globo - 29/07/2010
Tesouro: freio no PIB não afeta superávit
No semestre, resultado do governo atinge R$ 24,8 bi. Gasto cresce mais que receita
Martha Beck
BRASÍLIA. Apesar do desaquecimento da economia - que afetou a arrecadação federal - o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, reafirmou ontem que o governo vai conseguir cumprir a meta cheia de superávit primário em 2010. Isso significa que a equipe econômica não pretende abater das despesas os investimentos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para conseguir fechar suas contas. No primeiro semestre deste ano, o governo central (Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central) registrou superávit primário de R$ 24,8 bilhões (ou 1,46% do Produto Interno Bruto), o que representa alta de 34% em relação ao mesmo período em 2009. Para o ano, a meta do governo central é de 2,15% do PIB.
- Não pretendemos usar os abatimentos do PPI (investimentos do PAC) em 2010 - disse Augustin.
Ele destacou que, este ano, as despesas com pessoal registraram queda de 4,5% (em termos reais), quando comparadas com o primeiro semestre de 2009. Em termos nominais, houve uma alta de 8,4%. Já os gastos com investimentos, considerados positivos pela equipe econômica, estão crescendo quase 72% em termos nominais (e 51,2% em termos reais). Em geral, as despesas cresceram 18,2% em termos nominais (4,1% reais), enquanto as receitas subiram 16,9% nominais (3% reais).
- O principal aumento nos gastos foi com investimentos, o que é muito bom - disse o secretário. - Fomos muito criticados por alguns que esperavam uma explosão nos gastos com pessoal. Mas os dados mostram que isso não ocorreu.
Só em junho, o governo central registrou superávit primário de R$ 631,5 milhões. O resultado está bem acima do obtido no mês anterior, que foi um déficit de R$ 517,9 milhões.
Já em junho de 2009, quando a economia estava afetada pelos efeitos da crise mundial, foi registrado um déficit primário de R$ 618,2 milhões.
Secretário sugere que juros não devem continuar em alta Augustin aproveitou a divulgação dos dados fiscais do primeiro semestre para dizer que a economia não está superaquecida e que as avaliações do Ministério da Fazenda sobre o desempenho da atividade estavam certas desde o início do ano. Ele também alfinetou o Banco Central (BC) e, indiretamente, defendeu que as taxas de juros não devem continuar subindo no país: - Os sinais mostram que a avaliação (da Fazenda) estava bem precisa. A atividade está no patamar que deveria estar e não devemos trabalhar no sentido de segurá-la. O secretário comemorou, ainda, o fato de o Tesouro ter conseguido captar US$ 825 milhões no mercado internacional (US$ 750 milhões na Europa e nos Estados Unidos e US$ 75 milhões na Ásia) na terça-feira. Na operação, o governo brasileiro emitiu o título Global 2021 com a menor taxa de retorno para o investidor da história: 4,547% ao ano.
- Achamos que esse é um reconhecimento das condições extraordinárias da economia brasileira, inclusive do ponto de vista fiscal. O investidor internacional deu um reconhecimento que muitas vezes não ocorre no mercado doméstico - disse ele.
Segundo Augustin, o governo fará novas emissões de títulos no exterior ainda este ano, inclusive de bônus em reais.
Valor Econômico - 29/07/2010
BNDES e a capitalização da Petrobras: um falso dilema
No ano passado, o BNDES emprestou para inovação no Programa de Sustentação do Investimento (PSI) apenas R$ 300 milhões, valor irrisório ante os R$ 137 bilhões liberados pelo banco
O leitor atento ao debate atual deve estar surpreso com tamanha discordância quanto à atuação do Banco Central, BNDES e Tesouro Nacional. O debate atual, no entanto, parece tomar a forma de uma falsa dicotomia entre aqueles que são contra as políticas setoriais e de investimento e aqueles a favor da mesma. O debate quando colocado nesses termos, ao invés de esclarecer, prejudica a real avaliação dos custos dessas políticas. Dois exemplos são suficientes para corroborar essa tese.
Primeiro, o falso dilema entre "fortalecimento" versus "não fortalecimento" do BNDES. O Tesouro Nacional aumentou a dívida pública para emprestar R$ 100 bilhões em 2009 e R$ 80 bilhões em 2010 para o BNDES, a taxa de juros subsidiadas. Essa política tem um custo, mas também traz benefícios ao permitir um aumento da capacidade produtiva da economia brasileira. Acontece que parte da expansão do crédito do BNDES não é direcionado para aumento da capacidade produtiva, e outra parcela substancial dos empréstimos direciona-se para empresas que estão entre as mais competitivas do Brasil e, portanto, não precisariam da ajuda do BNDES.
Os dois maiores empréstimos diretos do banco para área industrial, em 2009, R$ 3,5 bilhões liberados para a JBS com o objetivo de ajudar a internacionalização da empresa e a compra de ações ordinárias da Brasil Foods (antiga Perdigão) no valor de R$ 750 milhões, não aumentaram a capacidade produtiva da indústria. Da mesma forma, os recursos do programa PEC-BNDES para capital de giro (R$ 6 bilhões), as operações de financiamento ao comércio exterior (R$ 16 bilhões), a compra do crédito do Tesouro junto à Eletrobrás (R$ 3,5 bilhões) e a parcela de 30% dos projetos de investimentos que vai para capital de giro também não aumentaram a capacidade produtiva. Apenas 60% ou menos dos recursos liberados pelo BNDES aumentam a capacidade produtiva.
O debate em relação ao BNDES é simples. A literatura de política industrial mostra que o governo deve incentivar as atividades de inovação e mesmo o desenvolvimento de novos setores que não sabemos ex-ante se seremos ou não competitivos. No ano passado, por exemplo, o banco emprestou para inovação no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) apenas R$ 300 milhões, um valor irrisório para os R$ 137 bilhões liberados pelo banco. Dado que há necessidade de priorizar os empréstimos do banco, a pergunta pertinente é se, de fato, o Tesouro Nacional deveria ter aumentado tanto a dívida bruta para financiar operações de fusões e aquisições, internacionalização de empresas, emprestar R$ 25 bilhões subsidiados para a Petrobras ou mesmo compensar com recursos subsidiados as restrições impostas ao preço máximo das tarifas no processo licitatório nos setores de energia e transporte.
Segundo, a recente autorização para capitalização da Petrobras e o tratamento diferenciado que a empresa recebe do BNDES (ao contrário da regra para os demais grupos empresariais, o BNDES passou a considerar cada uma das subsidiárias da Petrobras como cliente distinto para fins do limite de exposição por cliente de acordo com a Resolução CMN nº 3.615/2008) nos leva a outro falso dilema entre aqueles que são a favor da Petrobras e aqueles que são contra a empresa. O debate não é esse.
A Petrobras é a única companhia da América do Sul na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo de acordo com levantamento feito neste ano pela Boston Consulting Group e também a empresa brasileira mais bem colocada no ranking das 500 maiores corporações do mundo da revista "Fortune". Além disso, com as mudanças recentes na Lei do Petróleo, a petroleira passou a ser operadora única dos campos do pré-sal a serem licitados. Uma empresa desse tipo tem acesso a financiamento em qualquer país do mundo. Por que ela precisou de um empréstimo subsidiado do BNDES de R$ 25 bilhões?
Como se sabe, esse dinheiro não estava parado no BNDES e o Tesouro Nacional teve que emitir R$ 25 bilhões em títulos públicos para viabilizar a operação. Da mesma forma, por que a capitalização autorizada da Petrobras com recursos públicos foi equivalente em até 5 bilhões barris de petróleo e não menos? Esse debate é importante porque 1 bilhão de barris (algo por volta de R$ 10 bilhões) é quase quatro vezes o orçamento dos Fundos Setoriais (R$ 2,6 bilhões em 2009), que são os principais instrumentos de financiamento à inovação no Brasil e que tiveram menos da metade do seu orçamento efetivamente liberado em 2009.
Ou seja, temos recursos para mais do que duplicar o financiamento à inovação e ainda assim fortalecer a Petrobras. Por que então a excessiva ênfase na capitalização da Petrobras em R$ 50 bilhões com recursos públicos e nos empréstimos subsidiados para a empresa, que é uma das mais inovadoras do mundo? Para fazer política industrial? Mas nesse caso o incentivo deveria ir direto para os fornecedores da empresa e não para ela.
Em resumo, o debate não deveria ser colocado entre aqueles que são contra e aqueles a favor do fortalecimento do BNDES e da capitalização da Petrobras. O mesmo raciocínio vale para o debate quanto ao financiamento da usina hidrelétrica de Belo Monte e também para o trem- bala, uma obra que não é prioritária como é a expansão, ampliação e modernização dos portos, aeroportos e rodovias. No Brasil, é muito mais fácil expandir a dívida pública em R$ 200 bilhões para financiar novos programas setoriais do que aumentar os gastos anuais com educação em R$ 500 milhões, já que neste caso a Lei de Responsabilidade Fiscal exige a definição de uma fonte permanente de recurso e, no caso de novas emissões de dívida, não há essa exigência.
Assim, seria melhor para todos que o debate atual se concentrasse nas condições (valores e taxas) dos empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES, no uso que o BNDES faz desses recursos, no acesso privilegiado da Petrobras a recursos públicos e no uso alternativo desses recursos, ao invés do falso embate do bem contra o mal.
Mansueto Almeida é economista do Ipea, Brasília).
Folha de S.Paulo - 29/07/2010
Portugueses devem entrar na Oi via Funcef
Ingresso da Portugal Telecom na empresa controladora da tele brasileira deve ocorrer com venda de fundo da CEF
Previ e Petros devem continuar no negócio; acordo consolida cinco grupos na telefonia brasileira
JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO
A entrada da PT (Portugal Telecom) na empresa controladora da Oi deverá ocorrer por meio da venda da participação dos fundos de pensão.
A Folha apurou que, na semana passada, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fechara acordo com Previ (fundo dos funcionários do BB), Funcef (da Caixa) e Petros (Petrobras) o qual previa que teriam de vender sua participação.
Consultados, os fundos negaram a venda. Mas pessoas próximas a essas negociações disseram que a Funcef deverá abrir mão de seus 10%, retirando-se da Oi. Os detalhes dessa negociação serão definidos na próxima semana. Previ e Petros devem continuar no negócio.
Embora o prazo final do acordo seja 31 de outubro, ele deverá ser concretizado até setembro.
Tanto a entrada da PT na Oi quanto a venda da participação da operadora portuguesa na Vivo à Telefónica serão analisadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Os dois negócios representam os primeiros passos de um processo em curso que trará mais investimentos estrangeiros.
O Brasil é um dos países que mais devem atrair recursos até 2015, não somente devido à Copa e à Olimpíada, mas ao crescimento do mercado interno. Até 2014, estima-se que 22% dos domicílios terão TV paga, 92% da população terá celular, e 33%, acesso à web móvel.
12 ANOS DEPOIS
Movimentando R$ 25,7 bilhões, os dois negócios ocorrem 12 anos após a privatização das teles do Sistema Telebrás, que rendeu R$ 22 bilhões, em 1998.
O avanço tecnológico com a popularização do celular e o crescente uso da internet pela rede móvel mudaram a lógica da privatização, que previa a atuação de um número maior de operadoras competindo entre si em todo o país.
Agora ocorre o contrário: menos competidores disputando mercado. E essas operadoras passam a ter um peso maior porque consolidam suas operadoras de telefonia fixa, móvel, TV paga e internet em uma só.
Mas, ao contrário do que previam os analistas no passado, essa mudança não é ruim para o consumidor.
CINCO GRUPOS
A partir de agora, a competição se dará entre os mexicanos da América Móvil (Embratel, Claro e Net), os espanhóis da Telefónica (Telefônica, Vivo e TVA), os italianos da Telecom Italia (TIM e Intelig), os franceses da Vivendi (GVT) e a nova Oi (PT, Oi e Brasil Telecom). Há também a Nextel, mas ela só atua com telefonia móvel.
Embratel e Claro devem ser fundidas em uma só empresa. A TIM adquiriu a Intelig. A Brasil Telecom foi comprada pela Oi, e a GVT, pela Vivendi. Faltava à Telefónica ter uma operadora móvel para a oferta de pacotes combinados de internet, TV, telefonia fixa e móvel.
Com a PT, a operadora espanhola não conseguia levar essa estratégia adiante e correria o risco de ver sua presença diminuída com o avanço da concorrência.
Valor Econômico - 29/07/2010
Banco do Brasil lidera emissão de debêntures
Gabrielle Coppola e André Soliani, Bloomberg
O Banco do Brasil está superando o Bradesco e o Itaú Unibanco na estruturação de dívida privada no país, após adquirir quatro concorrentes e ampliar a oferta de empréstimos para um nível recorde.
O Banco do Brasil coordenou R$ 5,5 bilhões em ofertas de debêntures nos primeiros seis meses de 2010, ultrapassando Itaú e Bradesco, os dois principais coordenadores do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que contabiliza debêntures, notas promissórias e ativos securitizados.
O Banco do Brasil está em primeiro lugar neste ano, seguido por Bradesco, Itaú BBA e BTG Pactual, nessa ordem de colocação, de acordo com os números da Anbima.
Os empréstimos totais do Banco do Brasil aumentaram 36% no primeiro trimestre para R$ 327,4 bilhões, tornando-o a maior instituição da América Latina em ativos, após um acréscimo de 35% em 2009. O banco está aproveitando a fatia de mercado obtida durante a crise financeira global, quando desempenhou um "papel anticíclico" para sustentar a economia local enquanto instituições privadas reduziam o crédito, disse Peter Shaw, diretor-gerente da Fitch Ratings.
"Eles têm sido mais agressivos em geral", disse Shaw numa entrevista por telefone. "Eles deixaram claro que querem não somente defender os ganhos de fatia de mercado mas também, onde faz sentido, ampliá-los."
O banco estatal, fundado no século XIX, subiu no ranking de subscrição ao mesmo tempo em que as ofertas de debêntures deram um salto de 66% em relação a um ano antes, segundo os números da Anbima.
O Bradesco, segundo maior banco do país por valor de mercado, subscreveu R$ 4,48 bilhões em títulos no primeiro semestre, caindo uma posição em relação ao mesmo período de 2009 para o segundo lugar. O Itaú, maior banco brasileiro por valor de mercado, coordenou R$ 4,39 bilhões em ofertas de dívida, e ficou em terceiro lugar.
Alexandre Aoude, diretor executivo de mercado de capitais do Itaú BBA, disse que o fato de o Banco do Brasil ter comprado uma fatia de 50% do paulistano Votorantim colaborou para a ultrapassagem pelo banco estatal.
A aquisição trouxe "muito daquela originação, o que ajudou muito", disse Aoude numa entrevista por telefone de São Paulo. "O Banco do Brasil está fazendo um excelente trabalho, acendeu nossa luz amarela porque é um competidor difícil de ser batido."
Aoude prometeu ser "mais agressivo" para recuperar a primeira colocação conquistada no fim do ano passado. "Temos instrumentos para estar na ponta", afirmou.
Omar Barreto, chefe do departamento de imprensa do Banco do Brasil em Brasília, se recusou a comentar os rankings de subscrição. Um representante do Bradesco em Osasco também não atendeu o pedido de entrevista.
Valor Econômico - 29/07/2010
Cresce espaço para bancos de emergentes
As economias emergentes terão uma parte crescentemente proeminente na futura consolidação internacional do setor financeiro, avalia um grupo do Banco Internacional de Compensações (BIS), espécie de banco dos bancos centrais.
A demanda por serviços financeiros por empresas multinacionais e o rápido crescimento de economias emergentes devem formatar a atividade bancária internacional e sua contribuição para o desenvolvimento econômico no futuro, diz o relatório do Comitê sobre o Sistema Financeiro Global (CSFG).
Um deslocamento dos fluxos de comércio e da produção multinacionais para mercados emergentes deve acelerar a integração financeira, e a consequência poderá ser tanto maior participação de bancos estrangeiros nesses mercados como dos bancos de emergentes no exterior.
Os emergentes terão, assim, mais peso na consolidação financeira internacional tanto entre suas instituições como entre essas e as de países industrializados, diz o estudo.
Nota que os sistemas bancários na Europa do Leste e de vários países da América Latina já são controlados por estrangeiros. A participação externa representa cerca de 45% na concessão de créditos na América Latina. Na Europa do Leste, chega a quase 90%, com os financiamentos sendo fornecidos quase inteiramente por bancos da Europa ocidental desenvolvida.
Em comparação, a presença de bancos estrangeiros é perto de 30% na Europa ocidental e nos Estados Unidos e continua insignificante no Japão e nos emergentes da Ásia.
No fim de março, os bancos brasileiros tinham exposição de US$ 63,3 bilhões no exterior, dos quais US$ 31,5 bilhões nos mercados desenvolvidos. Por sua vez, os bancos estrangeiros ampliaram a participação no Brasil, com o estoque alcançando US$ 403,5 bilhões, sendo US$ 168 bilhões com financiamento internacional e US$ 235,5 bilhões em moeda local.
O relatório dirigido por Hans-Helmut Kotz, ex-membro do conselho do Bundesbank, o banco central alemão, examina questões de longo prazo da atividade bancária internacional.
Conclui que a crise mostrou deficiências nas operações dos bancos internacionais e na gestão de risco, facilitando a rápida transmissão de choques no sistema financeiro global. E vê sinais de que a rápida expansão de bancos ativos internacionalmente contribuiu para a vulnerabilidade de seus modelos de negócios. Questiona a eficiência de grande tamanho de balanços dessas instituições. E conclui que sua expansão internacional foi facilitada subavaliando riscos. Exemplifica que a expansão da atividade bancária internacional superou o crescimento do comércio mundial, levantando questões sobre mudanças na relação entre o sistema bancário internacional e a atividade econômica real.
O estudo propõe exame cuidadoso do funding dos bancos internacionais e de sua gestão de liquidez. As jurisdições que acolhem bancos estrangeiros perceberam que as instituições estavam expostas a riscos com origem em terceiros países. O relatório considera que maior exigência de capital mínimo e de colchões de liquidez devem limitar "pressões competitivas excessivas" para um banco crescer no exterior ou tomar mais riscos localmente.
Valor Econômico - 29/07/2010
Empréstimo da Caixa cria ruídos para a Petrobras
Um segundo empréstimo de R$ 2 bilhões da Caixa Econômica Federal para a Petrobras em junho, que veio a público anteontem quando o Banco Central divulgou os dados de crédito relativos ao mês passado, está dando o que falar. Um primeiro empréstimo de igual valor foi concedido em 2008, no auge da crise financeira internacional. A nova operação levantou dúvidas sobre a capacidade do caixa da companhia, uma eventual dificuldade para acessar o mercado internacional ou uma taxa de investimento superior à geração de caixa com suas atividades. O fato de o empréstimo, uma Nota de Crédito à Exportação, ter sido contratado junto à Caixa e não ao Banco do Brasil (BB), grande financiador de operações externas, também levantou a possibilidade de a Petrobras já ter atingido o teto de suas operações com o BB.
Um analista de um grande banco que pede para não ser identificado acha que a petrolífera pode estar se endividando para financiar exportações porque poderia estar gerando menos caixa do que precisa por causa do grande volume de investimentos, o que já era esperado.
Ontem a Petrobras divulgou nota sobre o assunto no meio da tarde em que afirma que a empresa está em "situação confortável de caixa" e que o contrato com a Caixa "se enquadra no curso normal das atividades da Petrobras". O Valor apurou que as condições apresentadas foram melhores com relação a prazo e custo. É também resultado de uma política mais agressiva dos bancos públicos e estaria incomodando os privados porque lhes tira grandes clientes estatais.
Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura, acha que ao dar empréstimo para a Petrobras, a Caixa deixa de atender as necessidades de financiamento de empresas brasileiras de menor porte que não têm acesso ao mercado financeiro internacional. "É curioso uma empresa do tamanho da Petrobras pedir um empréstimo para a Caixa, que não é um banco com essas características. Ela está enxugando recursos que poderiam ser direcionados para outras empresas nacionais."
O analista Max Bueno, da Corretora Spinelli, acha que a Petrobras pode estar buscando uma diversificação de suas fontes de financiamento, mas não acredita que a companhia esteja enfrentando dificuldades de crédito. Com base nos números do último balanço da companhia, referente ao primeiro trimestre, Max Bueno calcula que a alavancagem da Petrobras pode ter aumentado de 32% para quase 33% apenas com essa operação, quando o limite imposto pela própria companhia é de 35%.
Os 33% levam em conta que a dívida total de R$ 81,2 bilhões subiria para R$ 83,2 bilhões com os R$ 2 bilhões da Caixa, para um patrimônio de R$ 170,299 bilhões também no período. Mas não consideram novas receitas, investimentos e amortizações, sendo apenas um exercício. "A alavancagem da Petrobras e a evolução da dívida serão, sem dúvida, pontos acompanhados pelo mercado a partir de agora", diz Bueno.
Em mais um passo para a capitalização que vai resultar na cessão onerosa de até 5 bilhões de barris de petróleo da União, a Petrobras marcou para 12 de agosto uma Assembleia Geral Extraordinária. Os acionistas poderão, opcionalmente, usar quatro séries de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) com vencimentos em 2014, 2015 e 2016. O objetivo é estender um benefício para os minoritários, já que a União também foi autorizada a usar títulos públicos.