Diretoria de Comunicação e Desenvolvimento - VICOM - (22/07/2010)
ECONOMIA
OPINIÃO
SERVIÇO
Correio Braziliense - 22/07/2010
A culpa é da Saúde
Planejamento lava as mãos quanto à responsabilidade por vazamento de dados que lesou 3,8 mil aposentados e pensionistas desde 1995
Mariana Mainenti
Fernando Braga
A responsabilidade pelo vazamento das informações de cadastro de aposentados e pensionistas do Ministério da Saúde é da própria pasta, segundo divulgou ontem o Ministério do Planejamento. A quadrilha que desviou R$ 2,2 milhões ao ano dos contracheques de 3,8 mil funcionários públicos desde 1995 só conseguiu realizar a fraude porque teve acesso ao banco de dados da Saúde. "A fraude teve início a partir do recadastramento de servidores aposentados realizado pelo Ministério da Saúde, cujos dados no Rio de Janeiro caíram nas mãos dos suspeitos apontados pela Polícia Civil como integrantes da quadrilha", afirmou o Planejamento, em um comunicado.
Na nota, o órgão disse que, após denúncias, 52 entidades cadastradas com suas operações de consignação - empréstimos com desconto em folha - foram suspensas e duas definitivamente inabilitadas, o que significa que jamais poderão voltar a conceder crédito aos servidores. São elas a Associação dos Servidores Públicos e Auxílio Mútuo (Aspam) e a Associação dos Servidores da Administração Pública Federal (Aseap).
O Ministério da Saúde informou que vinha investigando as fraudes internamente, após denúncias de aposentados e pensionistas realizadas no ano passado. A Coordenação de Supervisão, Acompanhamento e Controle da Folha de Pagamento (Cosaf), vinculada à Coordenação-Geral de Recursos Humanos do órgão, encaminhou as denúncias ao Planejamento.
De acordo com a nota divulgada, está em fase final de implantação novo sistema em que só o próprio servidor poderá autorizar descontos, com a utilização de senhas eletrônicas. Em 2009, a pasta chegou a buscar o auxílio da Previdência Social para melhorar o nível de segurança do seu Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape). "Os ministérios da Previdência e do Planejamento têm trabalhado em conjunto. Como o nosso sistema é um pouco melhor do que o deles, o ministro Paulo Bernardo pediu que o seu secretário responsável por esta área viesse aqui. Ele está em contato conosco desde o ano passado", disse ao Correio o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas.
Segundo o ministro, o sistema da Dataprev - empresa de processamento de dados da Previdência Social - possibilita controlar pela folha de pagamento a margem consignável - limite de comprometimento da remuneração com empréstimos - dos trabalhadores privados, impedindo que eles ultrapassem o limite de 30% do salário. Além disso, a Previdência está discutindo com a Federação Brasileira de Bancos uma forma pela qual os próprios aposentados possam conferir o limite pelo terminal de autoatendimento bancário.
O Globo - 22/07/2010
Um mergulho de 3% no PIB
Mantega rebate crítica à 'bomba fiscal' e diz que pacote do governo evitou forte 4recessão no país em 2009
Martha Beck BRASÍLIA
O pacote de medidas para estimular a economia durante crise, que incluiu a capitalização do BNDES em quase R$ 200 bilhões, salvou 2009 e evitou que o Produto Interno Bruto (PIB) caísse 3%. É com esse argumento que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, preparou-se para rebater as críticas de que o governo estaria armando uma "bomba fiscal", ao usar recursos do Tesouro para injetar dinheiro no banco de fomento. Em entrevista ao GLOBO, ele defendeu a medida e disse que todos os subsídios concedidos ao BNDES e ao setor produtivo já retornaram aos cofres públicos.
Sem citar nomes, Mantega também disparou contra os críticos, muitos deles, segundo fontes próximas ao ministro, ex-integrantes do governo, como Maílson da Nóbrega (ministro da Fazenda de 1988 a 1990) e Alexandre Schwartsman (diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central de 2003 a 2006), afirmando que eles têm "dor de cotovelo". Ele admitiu que deve fazer uma nova capitalização do BNDES este ano, mas num valor menor do que as anteriores e disse que quer turbinar o setor privado, para estimular o financiamento de projetos de infraestrutura no país. Para isso, o governo deve reduzir a tributação de títulos de longo prazo associados a essas obras. A seguir, os principais trechos da entrevista:
CRISE: "Se nós saímos logo da crise, foi porque usamos instrumentos fiscais e de crédito.
O BNDES recebeu R$ 200 bilhões para emprestar. Foi ousado, mas graças a isso conseguimos recuperar rapidamente o nível de investimento. Também recuperamos o consumo com desonerações fiscais. Foi totalmente salutar para economia brasileira. Calculamos que, se não tivéssemos tomado as medidas, o PIB brasileiro em 2009 teria sido negativo em 3%, em vez de ter empatado como empatamos
SUBSÍDIOS: "Tudo o que nós demos de subsídio foi compensado com tributos pagos pela atividade econômica que foi fomentada.
Não se compara com o que nós obtivemos em ganhos. No caso do BNDES, essa conta foi de R$ 5 bilhões (ao ano). Mas o banco está gerando lucro, entre R$ 6,5 bilhões e R$ 7 bilhões, e nós, que somos o principal acionista, pegamos uma parte disso. É quase custo zero. Temos até vantagem quando emprestamos ao BNDES.
CRÍTICOS: "Eu vejo que tem uns críticos que já participaram do governo. Cada um deles deve ter ajudado a quebrar o país algumas vezes. Um provocou hiperinflação, o outro crise cambial, o outro aumentou a dívida. Não vou citar nomes, mas se eles estivessem no meu lugar, não teriam emprestado dinheiro ao BNDES e, portanto, nós teríamos passado pela crise igual a outros países que ainda não se recuperaram. Tem até gente que teria gostado que nós não fizéssemos nada e deixássemos o Brasil ter o mesmo destino dos países que tiveram uma depressão.
Só para depois dizer que não tínhamos competência para administrar o país. Não sei se estão com dor de cotovelo. Tem aí ex-presidentes do BC, ex não sei o quê criticando. Vai ver o que eles fizeram? Aumentaram dívida, aumentaram déficit. Tem um ciúme aí e ficam criticando as medidas inovadoras que fizemos.
MERCADO: "O mercado financeiro não pode reclamar (das medidas adotadas pelo governo).
Quando aconteceu a crise, eles (bancos) todos recuaram. Se os bancos públicos não tivessem entrado, teríamos quebrado mais uma vez. O BNDES teve que entrar em campo. Não tínhamos ataque e ficamos com uma defesa fragilizada. O BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa entraram no ataque e fizeram um trabalho brilhante.
RISCO DO BNDES: "O BNDES não joga dinheiro por helicóptero. Ele analisa cada projeto com cuidado. O nível de inadimplência do banco é menos de 1% do nível de empréstimo. O seguro está muito bem modelado e a prova dos nove é que a inadimplência é baixa.
NOVA CAPITALIZAÇÃO: "O BNDES sempre recebeu recursos. Recebia menos no passado.
Mas ele dá lucro para o governo. Ainda não temos planos de fazer uma nova capitalização este ano, mas talvez não seja possível dar zero. Talvez para consolidar uma parte dos projetos que começaram a ser feitos em 2010, tenhamos que dar mais alguma coisa, mas numa dimensão muito menor do que demos em 2009 e 2010.
FUTURO DO BNDES: "O banco vai ter que buscar mais alternativas de mercado. Ele tem uma fonte de recurso própria, que é a devolução dos empréstimos, depois tem recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Tudo isso soma R$ 70 bilhões, ou R$ 80 bilhões. Mas pode colocar debêntures no mercado, captar no exterior, receber empréstimos do BID (Banco Internamericano de Desenvolvimento) e do Bird (Banco Mundial).
Vai ter que trilhar essas outras alternativas.
SETOR PRIVADO: "Nosso sistema de crédito ficou acanhado para o volume de atividade que ocorre hoje no Brasil. Por isso, quero que o setor privado seja turbinado. Estamos estudando a redução de tributos para estimular a captação de longo prazo. Quando você estimula uma debênture, ou você cria uma debênture, você estimula a poupança e viabiliza projeto de investimento.
Por exemplo, Belo Monte emite uma debênture.
O aplicador nesse papel pode não pagar imposto.
Isso permite captar com taxa menor e dar remuneração maior para o investidor. Esse arcabouço vai estar pronto até o fim do ano, para que em 2011 tenhamos um sistema financeiro que dê conta dos desafios.
DÍVIDA BRUTA: "Em outros países, houve grande aumento da dívida bruta e da dívida líquida durante a crise. Eles tiveram que colocar dinheiro na economia e isso impactou a dívida bruta a fundo perdido. No caso do Brasil, o aumento na dívida tem como contrapartida um empréstimo que está do outro lado. É um recebível do Tesouro que o BNDES vai devolver. Não é um problema. Você tem que olhar a composição da dívida para saber se ela é boa.
SEGURADORA PÚBLICA: "Existe um interesse comum entre governo e setor privado de que é preciso melhorar o sistema de garantias que existe no Brasil. Há uma multiplicação de demanda por seguro no país. Hoje, o nível de seguro sobre o PIB é pouco mais de 3%, mas o volume adequado seria 8%. O setor sugere a criação de uma agência que trabalhe com um fundo garantidor. Nós optamos por uma empresa de seguro. Podemos aproximar as propostas. Nem exatamente uma agência nem exatamente uma empresa seguradora. Pode ser um misto das duas coisas.
Folha de S.Paulo - 22/07/2010
Com freio na economia, BC reduz ritmo de alta do juro
Copom cita queda de risco inflacionário e eleva Selic em 0,5 ponto, para 10,75%
Nas duas reuniões anteriores, alta havia sido de 0,75 ponto; indicadores mudaram expectativa do mercado
EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA
Pressionado pela divulgação de indicadores que apontam a desaceleração da economia, o Banco Central decidiu ontem reduzir o ritmo de aumento dos juros.
O Copom (Comitê de Política Monetária do BC) elevou a Selic de 10,25% para 10,75% ao ano, por unanimidade.
A intensidade do aumento foi menor que nas reuniões anteriores do Copom, quando a taxa subiu 0,75 ponto percentual por duas vezes.
No comunicado divulgado após a decisão, o BC diz que houve redução de riscos inflacionários desde a reunião de junho e que isso se deve a fatores externos e internos.
A Selic é a taxa básica de juros da economia. Calculada a partir do juro pago pelos títulos da dívida do governo, serve de referência para a taxa cobrada do consumidor -por exemplo, no financiamento de uma geladeira.
O aumento da Selic torna o crédito mais caro, o que tende a reduzir a atividade econômica.
A taxa básica começou a subir em abril. Na época, estava em 8,75% ao ano, menor patamar da história recente.
Os juros ainda estão abaixo do nível verificado no início de 2009, quando o BC reduziu a taxa diante da queda na atividade provocada pela crise iniciada em 2008.
MUDANÇA
Até a semana passada, o mercado mantinha a expectativa de novo aumento de 0,75 ponto na Selic. As apostas começaram a mudar na quinta passada, quando o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse em entrevista não programada que a decisão não estava fechada.
Além disso, na véspera da reunião, a prévia do índice oficial de inflação, que serve como meta para o BC, mostrou queda de preços.
Uma semana antes, indicador do próprio BC mostrou que a economia parou de crescer em maio, após 16 meses seguidos de expansão.
Quando o BC iniciou o novo ciclo de aperto, a economia crescia a taxa próxima de 10% ao ano, e a inflação projetada beirava os 6%, taxas consideradas insustentáveis por economistas.
Desde maio, no entanto, novos indicadores mostraram freio na atividade econômica e nos índices de preços. Com isso, cresceu a pressão dentro do governo para que o BC abandonasse a política de aumento dos juros ou ao menos reduzisse o ritmo de alta.
&FIM
XMercado
Crédito de longo prazo terá estímulo
Mantega prepara pacote de medidas para elevar recursos para grandes obras; aportes a BNDES serão reduzidos
Incentivos tributários e lançamento de títulos especiais são previstos; IR para aplicação de longo prazo pode cair
GUSTAVO PATU
LEILA COIMBRA
DE BRASÍLIA
O governo prepara um pacote de medidas para elevar o volume de dinheiro disponível para financiar grandes obras de infraestrutura e outros investimentos necessários nos próximos anos, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda).
Trata-se, basicamente, de incentivos tributários e novas regras que, ao mesmo tempo, estimulem a poupança de longo prazo e favoreçam a aplicação desses recursos em projetos que vão da construção de casas à exploração do petróleo da camada do pré-sal.
À Folha Mantega citou a criação de debêntures (títulos privados) especiais para investimentos em infraestrutura, que seriam diretamente emitidas por um projeto de investimento.
Essa emissão será desonerada pelo governo.
"Por exemplo, o rio Madeira [composto por duas hidrelétricas em Rondônia] emite seus papéis, que serão desonerados e sua captação fica mais barata."
Para incentivar que bancos privados entrem no financiamento de longo prazo, o ministro disse está disposto a reduzir o Imposto de Renda para aplicações financeiras também de longo prazo. "Hoje o banco privado não quer esse tipo de operação porque ele capta no curto ou médio."
O pacote está sendo discutido pelo governo com o Banco Central, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros).
BNDES
As medidas pretendem responder à escassez de recursos para a ampliação dos investimentos no país, em parte suprida por injeções de recursos do Tesouro Nacional no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), maior responsável pelo financiamento aos projetos de ampliação da capacidade produtiva do país.
A operação consiste na emissão de títulos da dívida pública que são entregues ao BNDES. Para obter dinheiro e ampliar suas operações, o banco vende os papéis e financia projetos de empresas estatais e privadas.
Desde o final de 2008, quando a crise econômica global fez secar o crédito privado, o Tesouro repassou R$ 200 bilhões à instituição.
Segundo Mantega, não haverá novos aportes ao BNDES neste ano, e o uso desse expediente deve ser "bastante" reduzido a partir de 2011, a depender do ponto de vista da atual equipe econômica.
Segundo sua estimativa, a operação trará um custo de R$ 5 bilhões para o Tesouro neste ano, decorrente, em especial, da diferença entre a taxa de mercado paga pelos títulos emitidos e os juros mais baixos a serem recebidos do BNDES.
O ministro defende a medida e ataca seus críticos, para os quais o governo criou um mecanismo para expandir gastos sem transparência orçamentária.
O Estado de S.Paulo - 22/07/2010
Economista diz que decisão foi 'incoerente'
Para economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa, decisão contraria os próprios alertas do Banco Central sobre ciclo da expansão econômica
- O Estado de S.Paulo
A decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) surpreendeu analistas do mercado financeiro, que esperavam um aumento maior da taxa básica de juros, de 0,75 pontos porcentuais. Apenas sete economistas, de um total de 64 consultados pela Agência Estado, mudaram em cima da hora a previsão de ajuste para 0,50 ponto porcentual e acabaram acertando o resultado.
A economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa, afirmou que se surpreendeu com o resultado do Copom. Para ela, o resultado não foi coerente com os documentos da própria autoridade monetária, que alertaram o mercado financeiro para o risco que a expansão da economia poderia trazer para o cumprimento das metas de inflação.
Inês Filipa fazia parte da corrente majoritária de economistas do mercado financeiro que aguardavam um novo aumento de 0,75 ponto para a Selic, já que, apesar da melhora no cenário de inflação, ainda via riscos de o aquecimento da economia prejudicar a inflação no médio e longo prazos.
"O Banco Central não foi coerente com as últimas atas, onde se mostrava bastante preocupado e avaliava um novo ciclo de expansão da economia", disse. "É óbvio que o BC pode mudar de opinião, mas não tão rapidamente entre uma e outra reunião de Copom", comentou. "Em 45 dias desde a última reunião, podemos até ter uma sinalização de um cenário mais benigno de inflação e até de desempenho mais fraco da economia, mas não uma confirmação deste cenário".
Analistas. O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, ao contrário de Inês Filipa, achou que o resultado do Copom está em sintonia com a evolução recente dos indicadores econômicos do País. Campos Neto fazia parte da corrente minoritária do mercado financeiro que aguardava um aumento menos intenso que o de 0,75 ponto porcentual das duas reuniões anteriores do Copom. "Manter a mesma decisão seria não assumir a mudança que houve nos indicadores", afirmou.
Para Campos Neto, chamou a atenção a opção unânime da diretoria do Banco Central. "Um momento delicado como atual não é a hora de passar uma mensagem de dissenso".
O economista do fundo M. Safra Marcelo Fonseca, afirmou que os dados de atividade e inflação são "inegavelmente benignos para o cenário da inflação".
Reclamações. O presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, repudiou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). "O Brasil não pode continuar entre os campeões mundiais de maiores taxas de juros", reclamou em nota oficial.
"A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) não podem concordar com a política equivocada de elevação da taxa Selic simplesmente para que as expectativas de mercado não sejam contrariadas", criticou.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em tom mais ameno que a Fiesp, considerou positivo o porcentual inferior ao da última reunião do Copom. Em nota, o presidente em exercício da entidade, Robson Andrade, disse ver "com algum alento" a decisão de reduzir o ritmo de aperto monetário. Para ele, é desnecessário manter o processo de elevação dos juros, pelo cenário de arrefecimento da atividade econômica.
Os últimos indicadores, lembra Andrade, apontam nítida desaceleração no ritmo de expansão econômica, principalmente na produção industrial que, nos últimos dois meses, interrompeu o crescimento.
Correio Braziliense - 22/07/2010
EUA preparam novo choque
BC norte-americano assusta o mercado ao sinalizar com pacote de estímulo à economia e contra a deflação
O Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) está preparado para anunciar um novo pacote com medidas adicionais de apoio à economia dos Estados Unidos caso veja necessidade de um novo impulso à retomada do potencial de produção do país, declarou ontem o presidente da instituição, Ben Bernanke. O duro discurso, que assustou o mercado - a Bolsa de Nova York caiu 1,07% -, fez alusão à estabilidade de preços no momento em que a inflação se mantém frágil e dá indicações de permanecer no chão por vários anos. Ou seja, para evitar o pior, um risco de deflação, o comandante da autoridade monetária foi incisivo ao sinalizar que medidas intervencionistas já estão no forno.
"Estamos prontos para tomar medidas adicionais, se for necessário para favorecer o retorno à plena utilização do potencial de produção de nossa nação, em um contexto de estabilidade de preços", disse Bernanke, diante do Comitê Bancário do Senado norte-americano. Ele não anunciou que medidas seriam essas, mas justificou sua necessidade diante da recuperação norte-americana ainda "em ritmo moderado", o que indica lenta recuperação do emprego. O xerife da economia dos EUA advertiu ainda que a velocidade atual da abertura de vagas no setor privado é insuficiente para forçar um recuo no índice atual de desemprego, que ficou 9,5% em junho.
Consumo
Bernanke disse que, ao reconhecer que as perspectivas econômicas continuam incertas, o Fed vem mantendo a "prudência" para retirar os estímulos da política monetária expansionista. Ainda assim, ele disse que a autoridade monetária acredita que, com ajuda do consumo interno, o país está no caminho da recuperação econômica. "Embora a política fiscal e a reconstrução de estoques devam fornecer menos ímpeto para a recuperação do que nos trimestres passados, a maior demanda das famílias e dos empresários ajudará a sustentar o crescimento", avaliou.
Em razão do cenário de crescimento tímido, o Fed prevê que as condições econômicas irão requerer uma taxa básica de juros excepcionalmente baixa por um período prolongado, política aplicada nos Estados Unidos há mais de um ano. Bernanke não detalhou quais medidas poderiam ser adotadas se o crescimento se abater. Analistas sugerem que o Fed retomaria a compra de ativos ou reduziria a taxa que paga aos bancos para que deixem no BC os recursos excedentes. "O depoimento não foi particularmente otimista", disse à agência Reuters Lawrence Glazer, sócio da Mayflower Advisors, em Boston. "Isso indica que o Fed tem uma visão relativamente nebulosa do futuro."
O presidente do Fed argumentou que dispõe de ferramentas para remover as medidas extraordinárias de liquidez implementadas durante a crise de 2007 a 2009. Disse que há ampla concordância de que as vendas de ativos terão um papel nesse movimento, mas acrescentou que qualquer venda será sinalizada com antecedência. Mas, numa previsão sombria, afirmou que "diversos bancos ainda continuam com muitos ativos desvalorizados em seus balanços", o que agrava o problema da economia dos Estados Unidos.
Estamos prontos para tomar medidas adicionais, se for necessário para favorecer o retorno à plena utilização do potencial de produção de nossa nação, em um contexto de estabilidade de preços"
Ben Bernanke presidente do Fed
Reforma já vigora
O presidente norte-americano, Barack Obama, fez história ontem ao promulgar a maior reforma financeira desde 1929, esperando evitar dessa forma que se repita uma crise devastadora como a que colocou seu país à beira do abismo nos últimos três anos. A lei, que alguns republicanos comprometeram-se a reverter, introduz novas medidas de proteção para os consumidores, reduz o poder dos grandes bancos e ataca práticas enganosas por parte das empresas de cartão de crédito.
"Com essa lei, o povo norte-americano jamais voltará a pagar pelos erros de Wall Street. Não haverá mais resgates com dinheiro dos contribuintes", declarou Obama. Com o objetivo de restaurar a confiança da população em sua liderança econômica em tempos em que o desemprego beira os 10%, Obama disse que a lei reparará as fraturas e os abusos que geraram a crise financeira. "Foi uma crise nascida da ausência de responsabilidades, a partir de certos setores de Wall Street até os salões de poder Washington."
A lei passou pelo Congresso com o apoio de diversos votos de republicanos, já que os opositores não cessaram suas tentativas de bloquear as reformas. Eles condenaram a nova lei, ao afirmar que ela afetará a expansão econômica e irá atenuar a capacidade dos grandes bancos.
Folha de S.Paulo - 22/07/2010
Maior acionista vende ação da Petrobras
Americana BlackRock afirma que reduziu participação por causa de incertezas em relação à capitalização
Principal investidora privada da petroleira diz que valor de mercado pode se recuperar após definição sobre processo
PEDRO SOARES
SAMANTHA LIMA
DO RIO
Maior gestora de recursos do mundo e principal investidora privada da Petrobras, a empresa norte-americana BlackRock reduziu o investimento em ações da estatal devido às incertezas sobre a operação de capitalização.
Sem revelar o volume negociado, o gestor de ativos para a América Latina do BlackRock, Willian Landers, afirmou que reduziu "um pouco" a participação na empresa no segundo trimestre.
O capital foi realocado em empresas ligadas ao mercado interno, como varejo.
"Estamos vendo oportunidades melhores em outras partes e, dados o atraso na operação e as incertezas com seu tamanho e o preço dos barris, achamos que, na melhor das hipóteses, a Petrobras vai andar de lado até a operação ser definida."
Sediado em Nova York, o BlackRock tem US$ 3,15 trilhões sob administração, em ações, renda fixa, imóveis e investimentos alternativos.
A área de ativos para América Latina tem US$ 8 bilhões, dos quais 72% no Brasil. Do total, 8% estão alocados na Petrobras. Isso não inclui participação em fundos de energia, sob o comando de outros gestores.
Até o fim de 2009, o BlackRock detinha 6,16% das ações preferenciais (sem voto) da Petrobras. É o único investidor privado conhecido publicamente por ter mais de 5% das ações preferenciais.
Além do BlackRock, são conhecidos apenas a controladora União, a Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) e o BNDES, que possuem participações maiores.
Landers ressalta, ainda, a incerteza gerada pelo tamanho da operação.
"É uma operação nunca vista no Brasil, a duas semanas da eleição. Há o risco de a diretoria sair em seis meses. Depende da precificação de um ativo difícil, que é um barril futuro. Há a regulação mudando no setor."
Depois que a operação ficar clara, diz Landers, a Petrobras voltará a ser uma das preferidas do BlackRock.
Mas, se os barris vierem com preço alto, afirma, há risco de a operação não ser aceita pelo mercado.
"O investidor não vai tirar investimento da Exxon se o preço for muito alto."
INSEGURANÇA
Para Edison Garcia, superintendente da Amec (Associação de Investidores do Mercado de Capitais), o mercado está "muito arredio e inseguro" com relação à capitalização. Desde o início do ano, o valor de mercado da Petrobras já caiu cerca de 25%. "Falta transparência."
Segundo Osmar Camilo, analista da Socopa, a desvalorização das ações da companhia é resultado principalmente "das incertezas geradas pela capitalização". O acidente da BP nos EUA, diz, teve um impacto secundário.
A Petrobras disse que as informações sobre a venda de ações são confidenciais.
Folha de S.Paulo - 22/07/2010
Queda nos preços dos alimentos teria ocorrido mesmo sem aumento do juro
JOÃO SABOIA
ESPECIAL PARA A FOLHA
O Copom voltou a aumentar ontem a taxa básica de juros da economia (Selic). A razão é a mesma de sempre: as altas dos preços que ameaçam o não cumprimento da meta inflacionária do ano, de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O comportamento da taxa neste ano lembra o ocorrido em 2008, quando sofreu aumento contínuo devido às pressões inflacionárias do início do ano, só recuando a partir de janeiro de 2009, quando o país sofria fortes reflexos da crise econômica.
Assim como em 2008, as pressões inflacionárias deste ano estão muito influenciadas por aumento nos preços dos alimentos que, segundo o IBGE, seriam "decorrentes, em grande parte, de problemas climáticos neste ano".
Em outras palavras, combate-se a inflação causada principalmente por choques de oferta com o remédio adequado para choques de demanda.
Vejamos os números do IPCA. Ao fechar o primeiro semestre de 2010, a inflação mensal de junho foi zero, ou seja, não houve inflação naquele mês. Por outro lado, no trimestre encerrado em junho ela atingiu 1%.
No acumulado do ano, ela atinge 3,1% e, nos últimos 12 meses, 4,8%. Portanto, o ritmo inflacionário deste ano anda muito próximo da meta de 4,5%.
Os três principais itens do IPCA -alimentação, transporte e habitação- representam mais da metade do peso no cálculo do índice.
Desses, apenas a alimentação contribuiu acima da média do IPCA, atingindo 4,5% no primeiro semestre.
O aumento da habitação foi de 2,2%, enquanto os transportes subiram só 1,5%.
No caso da educação o aumento semestral foi de 5,6%, nas despesas pessoais, 4,2%, no vestuário, 3,3%, e na saúde, 3,1%. Esses quatro itens representam cerca de um terço do IPCA.
A aceleração inflacionária do início do ano foi claramente revertida a partir de maio, quando o preço dos alimentos passou a contribuir para a queda da inflação.
Em junho, por exemplo, houve redução de 0,9% nos preços dos alimentos. Por sinal, a queda foi generalizada -ocorreu nas 11 regiões cobertas pelo IPCA.
O movimento de queda da inflação continua forte neste mês, conforme mostram os resultados do IPCA-15 divulgado recentemente.
Os preços dos alimentos permanecem em queda e o ritmo de crescimento dos preços dos itens não alimentícios é muito baixo. O IPCA deverá apresentar ser negativo neste mês.
Caminhamos, portanto, para o cumprimento da meta inflacionária de 2010. O mesmo item que a ameaçou no início do ano está agora contribuindo favoravelmente. A maior ironia nesse caso é que a queda nos preços dos alimentos teria acontecido mesmo sem o aumento da taxa Selic.
Correio Braziliense - 22/07/2010
Antonio Machado
Temores infundados
Não há nenhuma evidência para temores como dos ex-presidentes do Banco Central e do BNDES, respectivamente, Gustavo Loyola e Luis Carlos Mendonça de Barros, ambos no governo FHC, de que surja uma "relação incestuosa" do Tesouro com a entidade hoje presidida pelo economista Luciano Coutinho. Eles falam da "conta movimento", uma gambiarra da ditadura pela qual o Banco do Brasil provia o crédito rural com a emissão inflacionária de dinheiro pelo Banco Central.
A aberração, fechada no fim do governo Sarney, funcionava como um orçamento paralelo ao orçamento fiscal gerido pelo Tesouro. Não há tal concepção nos dois aportes do governo Lula ao BNDES, ainda que projetos assim financiados, como o início da exploração do pré-sal pela Petrobras, possam ser questionados. Qual seria a alternativa, se a banca internacional e local havia trancado o crédito?
O bombeiro na crise
O BNDES pilotado por Coutinho segurou a onda recessiva que ainda varre o mundo. A que custo? Em entrevista, ele disse que já mandou apurar o valor presente dos dinheiros emprestados pelo Tesouro.
É o certo. O custo não é linear, derivado da Selic atual, mas da prevista para o prazo médio dos financiamentos do BNDES, que passa de cinco anos, vis-à-vis a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 6% ao ano hoje, mais spread, cobrada nas operações incentivadas do banco (as demais são em condições de mercado). O subsídio de juros implícito, de qualquer forma, aparecerá no orçamento do Tesouro.
Esse é o custo contábil de que falam os críticos. Outro, omitido, é o custo social e econômico, caso o BNDES não tivesse agido como bombeiro dos investimentos. O ministro Guido Mantega afirma que a recessão teria sido devastadora. Mais: sem crescimento e com meta de inflação, levaria outra década para sairmos da estagnação.
O Globo - 22/07/2010
INSS investigará descontos de aposentados
Órgão vai analisar 11 entidades sindicais que cobram mensalidades no contracheque sem autorização dos inativos
BRASÍLIA. O presidente do INSS, Valdir Simão, informou ontem que incluirá na próxima auditoria do instituto as 11 entidades sindicais que descontam diretamente na folha de pagamentos a mensalidade sindical de aposentados. A auditoria será iniciada ainda este mês. Ontem, O GLOBO revelou que alguns sindicatos estão impondo esses descontos aos seus filiados, sem a autorização dos inativos.
As auditorias semestrais por amostras do INSS detectam que há esse tipo de irregularidade em pelo menos 1% dos casos investigados. Valdir Simão informou que, quando o desconto indevido é constatado, é cancelado e tornado sem efeito imediatamente.
Essas entidades são sindicatos e associações de aposentados vinculados a centrais sindicais.
O GLOBO mostrou o caso de um associado do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sintapi), ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). O presidente deste sindicato, Epitácio Luiz Epaminondas, atribuiu a falha a erros de digitação.
Contag, Cobap e Sindinapi entre investigadas As 11 entidades que serão investigadas pelo INSS receberam, somente em junho, R$ 21 milhões em mensalidade sindical de aposentados. Entre elas estão a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindinapi), ligado à Força Sindical.
Relator do fator previdenciário na Câmara, o deputado Pepe Vargas (PT-RS) afirmou que, mesmo sendo detectadas irregularidades em apenas 1% das amostras analisadas pelos técnicos do INSS, é preciso acabar com o desconto ilegal.
- Mesmo 1% sendo residual, e há resultado positivo nos outros 99%, é preciso intensificar a apuração, para que tenhamos o desejável 0%. De qualquer maneira, é lamentável que 1% esteja pagando algo indevido e que não autorizaram. Imagino que, quando o INSS flagra essa irregularidade, aja uma retenção imediata - afirmou Pepe Vargas.
Aposentados que têm a contribuição debitada do benefício sequer podem identificar o pagamento. Isso porque não recebem um contracheque mensal informando os descontos.
Há uma semana, o Ministério da Previdência tornou ainda mais difícil a retirada da contribuição. A partir de acordo com as entidades, o ministério estabeleceu que os descontos só poderão ser cancelados se o aposentado for pessoalmente à associação apresentar pedido formal.
Entidades oferecem descontos em farmácias e consultas Segundo reportagem do GLOBO, as ações judiciais para reivindicar correção do benefício são um grande atrativo para convencer os aposentados a se vincularem às entidades, pagando a contribuição mensal. Para divulgar essas ações, dirigentes sindicais prometem incluir os segurados na lista dos beneficiários em caso de ganho de causa.
Como contrapartida, exigem que os interessados se tornem filiados ou autorizem o desconto da mensalidade sindical, diretamente da aposentadoria.
Além de serviços jurídicos, as entidades oferecem ainda descontos em farmácias, consultas e exames médicos e até excursões com preços promocionais.
Embora as entidades neguem, a campanha por correção do salário mínimo acabou elevando o valor que elas recebem das contribuições.
Segundo o INSS, por conta do aumento do mínimo, o valor destinado aos sindicatos passou de R$16,720 milhões em dezembro de 2008 para R$ 19,040 milhões em dezembro do ano passado.
Folha de S.Paulo - 22/07/2010
Banco do Brasil vai abrir uma hora mais cedo em SP
Para finalizar processo de incorporação da Nossa Caixa, agências atenderão, no início de agosto, das 9h às 16h30
Período coincide com os maiores compromissos dos clientes e com o pagamento do salário de servidores do Estado
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
O Banco do Brasil decidiu abrir as agências uma hora mais cedo no início de agosto em São Paulo, Estado em que finaliza o processo de incorporação da Nossa Caixa e que viu aumentar o número de queixas dos clientes.
O novo horário valerá para as duas primeiras semanas do mês, entre os dias 2 e 13.
O período coincide com a data de pagamento dos servidores do Estado e com os principais compromissos dos clientes. As agências abrirão das 9h às 16h30.
No início deste mês, clientes reclamaram de problemas de atendimento decorrentes direta e indiretamente da conversão das agências. Entre as queixas, estavam desde a perda de limites no cheque especial e problemas no atendimento até atrasos nas transações envolvendo depósitos judiciais.
Segundo Dan Conrado, que comanda as operações do Banco do Brasil em São Paulo, o período crítico da conversão das agências já passou, e os clientes deverão sentir melhora no atendimento nas próximas semanas. O banco tem 5 milhões de clientes no Estado.
"Sabemos que é passageiro. Depois o cliente vai perceber que saiu ganhando, que melhoraram a rede de agências e a segurança das operações. Isso aconteceu quando fizemos as primeiras conversões, em março e em abril."
SEGURANÇA
Conrado afirma que o BB investiu na segurança das operações das contas do Judiciário, o que elevou o número de procedimentos e checagens e acabou atrasando a compensação de alguns pagamentos. O Judiciário é um dos principais focos de reclamação contra o BB neste mês no Estado.
O BB trabalha com técnicos da Justiça paulista para colocar na internet a emissão de guias de pagamento e de outras operações envolvendo depósitos judiciais.
Segundo o diretor do BB, as reclamações decorrentes da perda de limites no cheque especial dizem respeito apenas a servidores e a clientes que tinham nome sujo em serviços de proteção ao crédito. Conrado afirma que o BB segue regras mais apertadas de análise de crédito do que a antiga Nossa Caixa.