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Terça-feira,  21/11/2006 - 09h15m

BANCO DO BRASIL - Venda de 10% do BB

Até abril de 2009, governo terá de se desfazer de quase 84 milhões de ações do banco, avaliadas em R$ 4,6 bilhões. O negócio visa cumprir a exigência do Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo

Vicente Nunes
Da equipe do Correio

 O Banco do Brasil dominou boa parte do debate político na reta final da eleição presidencial que acabou há três semanas. O medo de se privatizar a instituição acabou rendendo votos importantes à reeleição do presidente Lula. A discussão eleitoral, no entanto, deixou de fora um tópico importante: o governo terá, obrigatoriamente, que vender, até abril de 2009, pelo menos 10% do capital do banco, quase 84 milhões de ações avaliadas em R$ 4,6 bilhões. A operação está prevista em um acordo fechado há sete meses entre o BB e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), para a inclusão do banco no chamado Novo Mercado do pregão paulista, no qual estão as empresas de primeira linha, transparentes e que respeitam seus acionistas.
 Pelas regras da bolsa, as empresas listadas nesse mercado devem ter, no mínimo, 25% de suas ações em poder dos investidores. O BB está, no entanto, distante desse patamar: tem apenas 14,8% das ações negociadas na Bovespa. Para driblar os limites, o banco se comprometeu a atingir os 25% em três anos. E a expectativa é de que as ações a serem despejadas no mercado saiam do Tesouro Nacional, que detém, atualmente, 70% do capital do BB. Outros acionistas importantes são a Previ - o fundo de pensão dos empregados da instituição - e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, em junho, venderam, cada um, 2% do capital do BB dentro do processo de se aumentar o volume de ações do banco em poder do mercado.
 Com essa venda programada de ações, analistas e investidores estão acompanhando, como nunca, as movimentações dentro do BB. "Estamos falando de uma instituição que vem apresentando bons resultados, mas sofre por causa de ingerências políticas", diz Luiz Roberto Sampaio, diretor da Planner Corretora. Ele conta que os investidores, sobretudo aqueles que já possuem papéis do BB, estão ansiosos por saber como ficará o comando da instituição no segundo mandato de Lula.
 O atual presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão, técnico da maior competência, já sinalizou que pretende deixar o posto. "O grande temor dos acionistas minoritários do BB é o de que a instituição volte a ser administrada por políticos", afirma Sampaio. No início do primeiro governo Lula, os cargos estratégicos do banco foram rateados entre petistas. Mas eles acabaram sendo demitidos por envolvimento em todos os escândalos que abalaram a imagem da administração lulista.
Custo político
 Rafael Quintanilha, analista da Ágora Corretora, ressalta que a interferência política no BB - cujo lucro líquido nos nove primeiros meses do ano atingiu R$ 4,8 bilhões, 40,4% a mais do que em igual período de 2005 - reflete-se nos preços das ações do banco no mercado. Enquanto os papéis do Bradesco e do Itaú são cotados na Bovespa a valores quatro vezes superiores aos registrados em seus balanços, os investidores aceitam pagar, no máximo, 2,5 vezes o valor patrimonial das ações do BB. "Se fosse apenas pela lucratividade, certamente os papéis do BB estariam nos mesmos níveis dos de seus principais concorrentes. Mas o mercado prefere descontar do valor das ações o risco político", diz.
 Tanto Sampaio quanto Quintanilha ressaltam que, por estarem mais cientes da interferência do governo no BB, os investidores brasileiros preferem ficar distantes das ações do banco. "Hoje, sem nenhuma dúvida, os grandes compradores de papéis do BB são os estrangeiros. Mas as compras são feitas não porque eles consideram o banco um primor de gestão e de rentabilidade. E, sim, porque os preços das ações estão baixos e tendem a registrar boa valorização no médio prazo", destacou o diretor da Planner Corretora. Foi justamente a demanda dos estrangeiros que levou o presidente Lula a baixar, em abril deste ano, um decreto ampliando de 5,6% para 12,5% o limite para a participação desses investidores no capital do BB. Se não cumprir o acordo com a Bovespa, o BB será excluído do Novo Mercado, um golpe mortal à sua imagem.

Fonte: Correio Braziliense

 

 
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