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Segunda-feira,  23/08/2010 - 11h19m

A ALEGRIA DE SERVIR

 

“Sonhei que a vida era alegria
Acordei e vi que a vida era serviço
Servi e vi que servir é alegria”

Os versos que ilustram esse texto são sons que tilintam em meus tímpanos há mais de 30 anos, ouvidos em um programa da Rádio Nacional, apresentado, na época, por Collid Filho − os antigos o conhecem bem.

Essa mensagem diz muito em suas singelas palavras. E eu as tenho procurado seguir com perseverança.

Em 2006, fui cumprir talvez o maior desafio de minha vida, ao ser eleito para uma diretoria da Cassi, indicado pela ANABB e escolhido pela maioria dos votantes.

Foram quatro anos de imersão total nos problemas da Cassi com reflexo em seus associados. Nos primeiros 15 meses, o grave problema dos imensos e crescentes déficits e de uma gestão atabalhoada, sem grandes perspectivas, gerou em mim muita ansiedade e até certo desânimo, confesso.

Depois, a aprovação imprescindível da reforma estatutária e o ingresso dos recursos vindos do BB e dos associados, além da troca dos dirigentes indicados pelo Banco, resultaram em mudanças de comportamento e compromissos estratégicos com o novo rumo que a entidade deveria tomar.

As mudanças foram importantes e necessárias e passaram a refletir o acerto do caminho a ser seguido.

O excelente relacionamento reinante a partir daí, entre eleitos e indicados, sopesadas a eventuais e salutares divergências, proporcionou efetivar algumas mudanças, oferecendo à maioria dos associados melhores condições nos cuidados da saúde.

Possibilitou, por exemplo, ampliar o número de CliniCASSI no interior do país, todas dotadas da Estratégia Saúde da Família (ESF), agora somente instaladas após observados rígidos critérios técnicos.

Outro destaque é a implantação do novo Programa de Assistência Farmacêutica (PAF). Este veio oferecer mais facilidades aos 55 mil participantes que fazem uso contínuo de medicamentos e que passaram a recebê-los em casa, com encaminhamento automático do kit a cada quatro meses, evitando a indesejável interrupção do tratamento.

O grande Congresso de Saúde da Família Cassi, que reuniu cerca de 400 profissionais de saúde, também foi marcante. O evento tratou de assuntos relacionados aos cuidados da saúde de seus associados, cujos resultados positivos reverberam ainda hoje em todas as unidades.

Cito também a implantação do inédito Acordo de Trabalho com as Unidades Estaduais, que trouxe melhorias na avaliação de cada uma delas. Estes são alguns exemplos das principais realizações da minha passagem pela Diretoria de Saúde.

É claro que nem tudo foram flores. Mas grandes passos foram dados para sedimentar o caminho e facilitar eventual alteração de rumo sem se valer de movimentos bruscos.

Embora nos últimos três anos os indicados pelo BB tenham se revelado bons parceiros na condução desse barco chamado Cassi, convém lembrar que, nos últimos quatro anos, passaram por lá quatro presidentes e três diretores financeiros, o que não é bom em nenhuma empresa de qualquer ramo, principalmente, no segmento de saúde. Qualquer parada no meio do caminho para ajustar as velas prejudica demais o rumo do barco.

Os associados da Cassi podem ter a certeza de que ela está em ótimas mãos, mas precisam compreender as dificuldades enfrentadas diante da ânsia dos prestadores de serviço por melhores preços e de uma Agência Reguladora que não dá tréguas, cujo comando é de profissionais indicados por planos de saúde privados, que não têm nenhum interesse em facilitar as coisas para autogestões como a Cassi.

Lembre-se de que o crescimento das receitas no plano de associados é limitado aos reajustes salariais, enquanto os gastos com saúde não sofrem limitação nenhuma. Agradeço aos que confiaram em meu trabalho na Cassi e peço desculpas se não pude realizar tudo o que desejei para o bem de todos.

Agora, aposentado do BB desde 1° de julho, depois de quase 35 anos de serviço e muitos sonhos realizados, estou de volta à ANABB, que me acolheu de braços abertos. Aqui vou concentrar todos os meus esforços para dar continuidade a minha missão de servir com alegria, retomando os projetos de cidadania, com os quais tanto me identifico. Também direcionarei meu trabalho para levar uma comunicação de alta qualidade a todos os associados desta magna instituição, que o fazem por merecer.

Conto com todos vocês nesta nova caminhada.

Douglas Scortegagna
Vice-presidente de Comunicação - vicom@anabb.org.br

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