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Terça-feira,  16/06/2009 - 09h39m

Ser do Brasil é sua razão social

Quando o Presidente Lula demitiu o Presidente do Banco do Brasil, com a justificativa de que as ordens para reduzir as taxas de juros não estavam sendo cumpridas, lançou dúvidas no mercado e até mesmo junto ao funcionalismo. Que o tal do mercado tivesse a reação que teve é perfeitamente compreensível, mas nunca o funcionalismo. Não era isto que queríamos o tempo todo? Um banco verdadeiramente público? Com taxas de juros civilizadas? Com foco na distribuição de crédito, para garantir a geração de emprego e renda? Sim.

 

Até agora, o Banco do Brasil do Lula era igualzinho ao Banco do Brasil do FHC. Claro que em alguns aspectos sofreu mudanças, notadamente na relação com os próprios funcionários. Se não recuperamos os salários, achatados no governo FHC, pelo menos não houve perdas inflacionárias durante o governo Lula. Para resumir: a relação com os funcionários aconteceu em um patamar muito melhor no governo Lula que no governo FHC. Até greve o funcionalismo fez.

 

Resta saber se o novo Presidente do Banco do Brasil, o nosso colega Dida, vai conseguir avançar nas propostas que ele colocou para atender a demanda do governo, da sociedade e, por que não dizer, do funcionalismo. Nos últimos anos, o nosso Banco automatizou o crédito, criando uma estrutura burocrática que olha cada cliente pelos números. Tudo até muito rápido, pela internet mesmo. Para tomar dinheiro emprestado não é preciso nem falar com o gerente. Estão lá seu limite, suas linhas de crédito, as condições de pagamento e o limite de endividamento mensal. Simples.

 

Este tipo de crédito ajuda o país, mas não resolve o problema do desenvolvimento. Só libera mais crédito para o consumidor que já está endividado. É claro que o BB deve avançar na área tecnológica, sendo pioneiro nesse setor, o que tem feito com muita competência, mas é preciso que o Banco gaste mais tempo examinando projetos e dando mais atenção aos clientes com potencial de alavancagem dos seus negócios. Créditos para investimento e com prazos médio e longo para pagamento. Hoje, os clientes estão correndo das agências, são jogados para os terminais eletrônicos e quando são procurados por seu gerente de conta ou atendimento é porque este tem uma meta para cumprir: vender seguro, títulos de capitalização, entre outros.

 

Ao longo destes mais de 200 anos de existência, o nosso Banco do Brasil enfrentou muitos desafios. Junto com ele o funcionalismo, que jamais deixou de honrar seu compromisso de ser verdadeiramente o maior patrimônio da empresa. Hoje, o desafio mais importante é romper os paradigmas e buscar um novo modelo, que dê resposta à sociedade e ao mercado, praticando taxas de juros civilizadas e remunerando o acionista corretamente. Mas este é assunto para outra carta.

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