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Quarta-feira,  06/08/2008 - 11h26m

O último que apague a luz

No final da última reunião das entidades de aposentados, um colega, destilando generosidade, fez alguns comentários sobre o meu comportamento. Em algum momento disse admirar a minha energia e disposição para discutir tantos assuntos. Chegou mesmo a afirmar que eu acreditava mais nas possibilidades das entidades de aposentados participarem do processo de discussão do superávit da Previ, que os próprios representantes das associações.

 

Hoje, escrevo a carta do mês e penso naquelas palavras. Não resisti à tentação de passar os olhos no nosso SGI, Sistema Geral de Informações da ANABB, e descobri que o velho companheiro já conta 75 anos de idade e completará, no mês de agosto, 22 anos de aposentadoria. Pela disposição, energia e lucidez, ele é um daqueles colegas que a gente aposta e torce para que passe dos 100 anos.

 

Ele está sempre pronto para ficar horas e dias discutindo assuntos, pouco digestivos para a maioria, demonstrando sempre bom humor. Acaba por chamar nossa atenção para este grupo, que é cada vez maior, e faz aumentar a nossa responsabilidade na gestão dos recursos da nossa Caixa de Previdência. Aqueles que têm tido a possibilidade de me ouvir nos debates que tenho feito pelo país, os que têm participado dos debates sobre o tema, mesmo que pela internet, ou ainda os leitores dos meus artigos sobre o assunto, sabem muito bem que eu tenho dito que a tarefa de discutir o superávit da Previ deve ser, daqui para frente, uma constante na vida dos participantes do Plano de Benefícios 1. O nosso desafio será combinar a melhoria da nossa qualidade de vida presente com a distribuição de benefícios mais justos e melhores, cuidando para manter a perenidade que o Fundo precisa ter para alcançar o último beneficiário, quem sabe perto do final do século.

 

É preciso que todos pensem na Previ como uma grande Caderneta de Poupança Coletiva, onde mais de uma centena de milhares de colegas depositaram parte dos seus salários e dos seus benefícios de aposentadoria, durante quase uma vida inteira. Portanto, o saldo da caderneta é de todos indistintamente. Combinamos uma regra, quando fomos admitidos pelo Banco, para sacar esses rendimentos depois de aposentados, e assistimos, ao longo dos anos, as diversas mudanças de regulamento, algumas por decisões legais, outras por interesse da patrocinadora ou do governo e outras, ainda, de interesse dos participantes. Não dá para deixar apenas uma parte dos depositantes decidirem sobre a utilização dos rendimentos que superaram a nossa expectativa. Na hora da distribuição do excedente é preciso lembrar um velho ditado: “quem parte e reparte e não fica com a maior parte, ou é estúpido ou não conhece a arte”. Cada um dos grupos deve acompanhar atentamente a utilização do superávit da Previ.

 

O papel da ANABB tem sido o de estimular o debate no mais amplo cenário de discussões possíveis. Somos absolutamente contrários à postura de alguns dirigentes de entidades que defendem o tratamento do assunto no regime de tutela. Aquelas do tipo “nós é que sabemos o que é melhor para todos”. Convidamos todas as entidades para discutir o tema, criamos um Grupo de Trabalho para sistematizar as centenas de sugestões que vieram de todo o Brasil, apuramos um eixo central de discussão com 10 propostas e vamos agora submetê-las aos mais de 100 mil participantes do Plano de Benefícios 1. Ajudar na identificação de prioridades para a distribuição do superávit é o mínimo que cada um deve fazer. Vamos participar do processo com a expectativa de que queremos longa vida para a Previ e para cada um de nós. O resto é ficar torcendo para ser o escolhido na hora de apagar a luz.

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