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Quinta-feira,  05/06/2008 - 09h47m

Coisas por fazer

No último dia 14 de abril, completei 32 anos de Banco e no dia 9 de agosto vou completar 39 anos de previdência oficial. No dia 14 de maio, faço 55 anos de idade e a cronologia me permite afirmar que já passou da hora de estar aposentado. Para qualquer trabalhador, o tempo é o único fator determinante para a aposentadoria, mas para um sujeito como eu não. Gostaria de, como qualquer trabalhador, me aposentar. Mas aposentar mesmo. Tenho muita admiração por muitos aposentados que continuam trabalhando, até para continuar sobrevivendo com dignidade, mas confesso que chego a invejar aqueles que podem se aposentar de verdade. Desocupar a cabeça e o corpo e se ocupar com uma única preocupação: aproveitar a vida.

 

Assisti a uma palestra do Divaldo Pereira Franco, espírita baiano, em que ele narrava uma conversa que tivera com a mãe. Certa altura, ela lhe perguntou: Divaldo, você que conversa com os espíritos, já perguntou para eles como Deus faz para escolher a hora de levar as pessoas para outro plano? No que ele respondeu: mãe, eu não ocupo os meus amigos com estas perguntas, mas fique tranqüila, depois de mais de 80 anos, acho que eles esqueceram a senhora aqui. Por que a preocupação? No que ela emendou: é que eu acho que ele fica olhando aqui para baixo e dizendo: aquele está pronto, aquela está pronta e eu então, estou deixando sempre uma coisinha pra fazer. Às vezes, com relação à aposentadoria, me sinto um pouco como a mãe do Dr. Divaldo: tenho sempre uma coisinha pra fazer.

 

Tenho certeza que a grande maioria dos aposentados do Banco do Brasil também tem sempre uma coisinha pra fazer. Muitos atuam de forma brilhante nas direções das entidades ligadas ao Banco e, em alguns casos, até mesmo na direção do próprio Banco. Outros contribuem de forma solidária e parceira na gestão de instituições sociais que praticam ações de valor incontestável. Mas uma grande parte, que eu conheço, se ocupa apenas das tarefas domésticas e vive a condição de avôs e avós presentes, substituindo os pais em muitos momentos da vida dos netos. O que não deixa de ser uma tarefa muito prazerosa. Esta opção, por enquanto, ainda não tenho e meu tempo de aposentadoria deverá ser ocupado de outra forma.

 

Você deve estar se perguntando por que eu estou ocupando este espaço para falar de aposentadoria. É que, neste momento, estou muito preocupado com os nossos colegas que não tiveram a chance de se aposentar e foram empurrados para fora do Banco, sem direito a uma boa parte das reservas matemáticas da Previ. A maioria dos pedevistas está passando dificuldades e assistindo de longe o debate sobre o espetacular superávit da nossa Caixa de Previdência, com a certeza de que uma parte dele lhe pertence. Penso também nos colegas que se aposentaram antes da hora e em condições salariais muito ruins, recebendo benefícios irrisórios. Tem muita coisa que me mantém na luta. Aquelas coisinhas por fazer a que a mãe do Dr. Divaldo se referia. A aposentadoria para mim vai chegar uma hora, mas enquanto puder vou continuar lutando para resolver algumas coisinhas.

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