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Quarta-feira,  30/04/2008 - 15h16m

A palavra é que nos aproxima

Tive a oportunidade de conhecer uma redação de jornal muito cedo. Tinha lá meus 14 anos de idade e já trabalhava como revisor de texto, transcrito pelo  linotipista. Lá no interior, no final da década de setenta, o jornal da cidade era moderno, todo gravado numa imensa e bela máquina Linotipo. Para os mais jovens, que não conhecem o equipamento, eu o descreveria como uma imensa máquina de escrever. Com um teclado igualmente grande que, ao invés de teclar as letras no papel, produzia uma letra de chumbo, que juntas formavam as palavras. E estas, as frases dos textos, eram transformados em placas, diagramadas para compor cada uma das páginas do jornal.

 

A minha tarefa era simples: o jornalista escrevia a matéria no famoso papel de pão. Era chamado assim por ter a mesma cor do papel que as padarias usavam para embrulhar os pães. Acho até que era o mesmo. O linotipista gravava em chumbo o texto e fazia uma prova, usando tinta, papel e uma pequena prensa. Minha tarefa era conferir se o texto escrito pelo jornalista tinha sido fielmente transcrito pelo linotipista. Ficava feliz só de saber que tinha lido o jornal antes de ser impresso. Com o tempo fui ficando atrevido e arriscava algumas correções. Copidesque nem pensar, só alguns acentos esquecidos pelo autor, uma vírgula aqui e um acerto de concordância ali e nada mais. Forma e conteúdo são muito pessoais.

 

Hoje, os editores de texto nos computadores resolvem quase a totalidade dos problemas. Sugerem vírgula, colocam acento, denunciam erros de concordância e muitas coisas mais. Sobra para os autores dos textos o conteúdo. Aqui é que mora o problema. São mais de oito horas da noite, quinta feira, último dia do mês de janeiro e o pessoal da redação lembrou que devo deixar a Carta do Presidente pronta, pois amanhã tenho compromisso de trabalho fora de Brasília e o nosso Jornal Ação vai ser rodado durante o carnaval. A mesma turma que deu vinte e quatro horas para os associados fazerem uma pergunta ao presidente. Assim, tenho agora centenas de respostas para serem produzidas, que deverão ser publicadas no site da ANABB e, as selecionadas, nas páginas do Ação de março.

 

Não posso reclamar. A comunicação é a única chance que tenho de estar mais perto dos associados da ANABB. Somos apenas cinco diretores, trabalhando em Brasília, com associados espalhados por todo o país. As obrigações estatutárias da ANABB definem tarefas próprias de executivos de empresas. Ao mesmo tempo, definem a responsabilidade política na defesa dos interesses dos nossos associados, do nosso Banco do Brasil e de suas entidades como Cassi e Previ. Portanto, o pouco tempo disponível e a distância inibem a presença física dos dirigentes da ANABB nas dependências do Banco, em nosso país continental. Os meios de comunicação acabam sendo formas mais rápidas e mais baratas de aproximação.

 

Muitos dos associados que perguntaram ao presidente, feito os jornalistas do meu tempo de conferente de texto, ressalvaram que as perguntas, se publicadas, deveriam ser reproduzidas sem nenhuma edição. A ANABB vai respeitar a vontade de todos. Peço um pouco de paciência, pois não vou delegar a tarefa de respondê-las. Quero responder pessoalmente todas elas. Acho que será a oportunidade de esclarecer dúvidas das centenas de associados que decidiram perguntar. Claro que seria melhor poder estar em cada canto do país, falando pessoalmente com cada um dos associados, mas custaria muito tempo e dinheiro. Espero que todos entendam que a palavra é que nos aproxima. Assim, vou continuar este diálogo franco através das páginas dos nossos informativos e do vídeo na tela do seu computador, nas páginas do site da ANABB. Hoje, como diria Richard Bach, mais do que nunca, longe é um lugar que não existe.

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