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Opinião da ANABB :: Carta do Presidente
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Quarta-feira,  29/08/2007 - 17h50m

Sem tempo para comemorar

 Deixo para escrever a Carta do Presidente, quando o nosso Jornal Ação já está praticamente pronto, quase no momento de ir para a gráfica. Fico na expectativa de um novo tema, capaz de acrescentar uma nova discussão, num veículo de comunicação feito com tanto carinho e por tanta gente. Hoje, 27 de agosto, confesso que estou indeciso quanto ao assunto a ser tratado, dividido entre a tarefa de agradecer e cobrar.

 O desafio enfrentado pelos associados da Cassi, e vencido com a aprovação do novo estatuto e do acordo financeiro a ser assinado com o Banco, é fonte de inspiração para o agradecimento. O resultado financeiro do Banco e a percepção de que o caminho que a empresa está tomando não é o melhor me empurram para a cobrança.

 O esforço dos dirigentes da Cassi deverá ser lembrado como o começo de uma mudança que poderá ser a solução dos problemas de nossa Caixa de Assistência. No entanto, o resultado com mais de 80% de aprovação mostra o nível de envolvimento dos dirigentes da ANABB, dos representantes das associações de aposentados, da maioria dos dirigentes sindicais, das principais lideranças do funcionalismo, de parlamentares que não negaram a colaboração, de membros da direção do Banco (incluindo o presidente Lima Neto), dos dirigentes de AABBs e de colaboradores anônimos que, por todo o País, fizeram um pouco mais que a parte de cada um. Estávamos certos em apostar no debate franco e direto, na convocação de todos, inclusive dos partidários do ‘não’, que valorizaram o processo democrático da consulta, vivido pela Cassi. Estão todos de parabéns.

 Se a Caixa de Previdência (Previ) aponta para o caminho que pode levar à correção de todas as injustiças, e a Caixa de Assistência (Cassi) ganha fôlego para enfrentar as dificuldades – o que é conjuntural, com participação importante da atual direção do Banco – o mesmo não se pode dizer da empresa Banco do Brasil. Estou angustiado. Antes do atual governo, enfrentamos muitas dificuldades com diversas direções do nosso BB, desde o Governo Sarney, passando pelo Governo Collor e dois mandados do FHC. Tivemos um pouco de fôlego só no Governo Itamar. Nessas lutas, podíamos contar sempre com aliados muito fortes: todo o movimento sindical, as centrais sindicais (em especial, a CUT) e os partidos de esquerda, com destaque para o PT. O futuro já está me tirando o sono.

 Assisti aos dirigentes do Banco, da Previ e da Cassi, no último ano do Governo FHC, administrando as instituições como se seus mandatos fossem eternos. Fico hoje com a sensação de que já vi este filme. Como não acredito num terceiro mandato do Lula, para o bem da democracia, precisamos trabalhar também com um cenário de volta para o passado. Como é que vamos cobrar de um eventual governo de direita o Banco do Brasil que nós queremos? O banco público cujo principal lucro a ser alcançado é o social? O banco que tem o seu funcionalismo como maior patrimônio? O banco para o qual o Bradesco, o Itaú e tantos outros bancos privados não seriam referências internas nem externas? O banco dos brasileiros além das placas de propaganda?

 Desculpe por, neste momento de comemoração, estar dividindo minha angústia com vocês, mas a luta tem pouco tempo para descanso e festa. Por mais surrada que seja a frase – a luta continua – ela vai estar presente sempre em nossas vidas. Nesta nova empreitada, esperamos poder contar com o movimento sindical, com as centrais sindicais – em especial, a CUT – e com os partidos de esquerda, com destaque para o PT. Não temos tempo para descanso e festa, nem mesmo quando acreditamos estar governando. Estamos mesmo?

Valmir Camilo

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