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Quarta-feira,  04/07/2007 - 11h19m

O Banco do Presidente Lula

Ao longo destes anos como dirigente da Anabb, tive a oportunidade de conviver com vários presidentes do Banco do Brasil. Se considerar o período em que estive na antiga Executiva Nacional dos Funcionários, nos anos de 1988 a 1993, participando das negociações salariais, acho que passa de uma dezena. Ao recordar o período de militância sindical – de 1985 a 1987 – e o período que o Banco representava, para mim, uma esperança de carreira bem sucedida como bancário – de 1976 a 1984 – a conta vai ainda mais longe. Presidentes para todos os gostos e interesses. Muitos que nem eu mesmo lembro o nome e, confesso, também não faço questão nenhuma de lembrar.
Por detrás ou quem sabe antes de cada presidente, um governo. Governos igualmente para todos os gostos e interesses. Os militares, os pós-militares, os mais ou menos democráticos – tivemos eleições por colégio eleitoral –, os corruptos, os socialistas e os que procuravam caminhos ou continuam a procurá-los. O consolo é saber que muitos funcionários do BB honraram a história desta empresa que ainda é orgulho nacional, apesar dos pesares. Presidentes que foram funcionários do Banco e funcionários do Banco que foram presidentes.

Poucos eu posso colocar na minha lista de amigos, companheiros, parceiros e camaradas. Muitos estão na lista dos que eu esqueci ou quero esquecer. Alguns merecem o meu respeito e admiração e estão guardados no fundo do peito, como Calazans e Calliari.
Quando tomei posse no Banco, o gerente da agência de Monte Aprazível - Guilherme Fontana – me perguntou o que eu pretendia no Banco. Respondi que estava de olho no cargo de presidente. Claro que foi só uma brincadeira. Mas em 1976 eu chegava ao Banco do Brasil acreditando que bastava ser competente, vestir a camisa da empresa, ter disposição para correr o País de agência em agência, aceitar desafios, ser honesto, ser trabalhador, ser uma liderança positiva, viver os ideais da família Banco do Brasil e etc., etc., etc... No entanto, no alto deste Planalto Central, a coisa é muito diferente. Para ser presidente é preciso, também, principalmente ou somente, ser amigo do outro Presidente. Ao longo destes anos conheci presidentes do Banco que foram, também, principalmente e somente amigos do outro Presidente, e não foi isto que os tornaram melhores ou piores.
Hoje, acho que o que mais importa não é ser ou não amigo do outro Presidente, mas o que o outro Presidente quer do presidente do Banco do Brasil. Mais importante que o nome é o compromisso e a capacidade do escolhido, de levar o Banco para o lugar em que ele deve estar. Acho que minhas decepções estão marcadas por acreditar que muitos levaram o Banco para onde ele não deveria ir. E o que é mais triste: para onde continuam levando. Será que o Presidente Lula sabe para onde estão levando o Banco do Brasil? Em respeito à história do companheiro vou afirmar que não.
O primeiro foi uma escolha infeliz, e lhe deram muito poder. O segundo foi uma escolha feliz, mas não lhe deram nenhum poder. O terceiro, eu respeito: vestiu a camisa do Banco, mostrou competência, aceitou o desafio, mas dificilmente vai levar o Banco para o lugar que queremos. O presidente do Banco tem que ter mais poder que o presidente da Previ, tem que poder escolher o superintendente da Cassi, tem que estar no nível do ministro da Fazenda, do ministro do Planejamento e do presidente do Banco Central. O presidente do Banco do Brasil não pode ter medo de ser corporativista, pois o corporativismo tem salvado o Banco dos Policaros e Lafaietes da vida. O presidente do Banco do Brasil – agente financeiro do Governo Federal – tem que falar direto com o Presidente Lula. O presidente do Banco tem que poder vetar as indicações políticas. Tem que ter coragem de lembrar ao outro Presidente que o time, que lutou junto com ele contra o atraso, está fora e a turma do atraso está chegando para ocupar cargos importantes. O Banco do Brasil tem que crescer ocupando espaços, não botando gente para fora. O lucro deve ser da sociedade, não do governo. As metas devem ser reduzidas a uma única: fazer um país melhor.
Lima Neto, meu estimado amigo, como estou torcendo para estar enganado.

Valmir Camilo

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