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Quarta-feira,  06/06/2007 - 10h45m

As mudanças que queremos.

Eu tenho uma cunhada que sempre surpreendia as visitas com mudanças na ordem dos móveis e utensílios da casa. Passava para todos nós a impressão de que a casa tinha mudado tornando-se mais arejada e mais confortável a cada mudança. Para as visitas, apenas a surpresa de ver o velho parecendo novo; para os de casa, imagino o desconforto da adaptação ao novo posicionamento dos objetos e das coisas. Confesso que, como alguém de fora, nada tinha a reclamar e sobrava ainda a admiração pela criatividade.

Estou colocando o tempo do verbo no passado porque nas últimas visitas tenho encontrado o mobiliário da casa no mesmo lugar. Acabou a criatividade? Tenho certeza de que não. Acho que está faltando tempo para a criatividade doméstica. Esta minha cunhada, que até então só se ocupava das tarefas de casa, está trabalhando fora.


Nestes mais de trinta anos de banco, tenho assistido à criatividade dos colegas do nosso Banco do Brasil. Um funcionalismo que criou a primeira e maior Caixa de Previdência da América Latina. A Caixa de Assistência que é talvez o maior e melhor plano de auto-gestão de saúde do Brasil. O primeiro consórcio. A maior rede de clubes de lazer, a maior cooperativa de crédito mútuo, a maior rede de serviços de hotelaria e a maior associação de uma única categoria de trabalhadores, quem sabe, do mundo. Gente que faz, buscando a segurança, o prazer, o conforto e a qualidade de vida de mais de uma centena de milhares de colegas que passaram ou passam por esta empresa, que já foi um dos pilares da chamada reserva moral brasileira. Mais uma vez, uso o tempo do verbo no passado, pois, neste passado recente, a empresa comprometeu sua história com o envolvimento de dirigentes em atitudes, no mínimo, reprováveis.
Vocês devem estar perguntando: o que a cunhada tem a ver com a historia? Simples. Estou convencido de que, no banco, tem muita gente como a minha cunhada, precisando de trabalho, para parar com tantas mudanças inúteis. Com uma ressalva bem grande de que as mudanças da minha cunhada não tornam a vida de ninguém um inferno. Diferente das mudanças a que tenho assistido na empresa, que transformam a vida de milhares de famílias de colegas antecipando decisões com prejuízos financeiros irrecuperáveis. Aqui está o grande problema.

Confesso que não tenho paciência para ficar analisando as mudanças físicas, ou seja, se é melhor abrir ou fechar Nucacs. Já vi tantas mudanças definitivas com a perenidade reduzida por uma nova obra do criador, que eterno mesmo acaba sendo a nossa indignação. Quem está pensando nas pessoas? É só isto que me interessa. E olha que este governo foi eleito e reeleito com promessas de melhores dias para as pessoas. Quem sabe faltou, na campanha, a ressalva de que os tais dias melhores não  incluiriam as pessoas do Banco do Brasil.

Triste é ver que as partes envolvidas neste debate não percebem que o que poderia justificar a nossa luta em defesa das nossas pessoas é ter um banco que pense naquelas pessoas que estão fora do banco, a tal da sociedade. Será que o nosso destino é  ficar discutindo se fecha ou abre departamentos, setores, órgãos regionais e nunca mais discutir o caráter do crédito? Será que a nossa meta é ser o maior do Brasil e não o melhor do Brasil? Gente criativa do banco, as pessoas de fora estão esperando que as pessoas de dentro cumpram a promessa de fazer do Banco do Brasil o melhor. O maior lucro tem que ser o social. Vamos trabalhar para fazer as pessoas mais felizes, as dentro e as de fora.

Valmir Camilo

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